sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O eixo - a arte de questionar


É inacreditável como nos questionamos diariamente. Sobre tudo! Relações, trabalho, vida, situações, escolhas e, claro, sobre nós mesmos. Tenho tido a impressão que a vida é uma sucessão de questionamentos. Um dos mais presentes em mim (apesar de clichê) é o dualismo SER x ESTAR. O que sou, muitas vezes é abafado por como estou.
Procurar o centro, encontrar o eixo, enfatizar a essência. Tudo é tão mais difícil nos dias de tristeza, de angústia ou de cansaço extremo. Isso talvez porque estamos em constante processo de auto-conhecimento. A cada dia descubro um pouco mais sobre mim. Que bom! Monótona seria a idéia de saber tudo, de não ter nada a aprender ou para se surpreender.
Mas o que mais me inquieta é essa depreciação do momento. Ao pensar, agir ou, simplesmente, estar de uma forma diferente, a primeira reação das pessoas é dizer: “O que aconteceu? Você não é assim!” É como uma condenação pela escolha. “Sim, não sou assim, mas quero estar assim!” O que fizeram com a liberdade? Tenho a impressão que a esconderam debaixo de teorias e modelos pré-determinados.

Sou complexo, paradoxal, inquieto, hiperbólico, insaciável. E quero estar assim! Ou não!

Sou o que Clarice disse: "Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

O que sou sempre me regerá. Mas meus momentos também compõem meu todo!!


Hasta
Vide Alex...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Para todas as coisas...e momentos!

É incrivel como no decorrer da vida nossa trilha sonora pessoal aumenta. Tenho a impressao que um dia serão incontáveis essas músicas. Ainda bem! Elas conferem sabor e alegria, reflexão e sentido. Aqui está mais uma que ja faz parte do meu todo.

Para Todas as Coisas – Ana Cañas

Para seduzir, olhar
Para divertir, bobagem
Para o carro, devagar
Mas para enfrentar, coragem

Para acreditar, mentira
Para discutir, opinião
Para levantar, sol
Mas para dormir, colchão

Para entender, conflito
Para se ganhar, amigo
Para deletar, mensagem
Para o verão, viagem

Para fofocar, revista
Para distrair, TV
Para uma dieta, açúcar
E para amar, você

Para encontrar, vontade
Para atravessar, a ponte
Para desejar, sorte
E para ouvir, Marisa

Para Capitu, Machado
Para uma mulher, Clarice
Para Guimarães, Brasil
Na terceira margem do rio

Para o secador, molhado
Para o colar, anel
Para o batom, um beijo
Sempre muito apaixonado

Para se pintar, espelho
Para se perder, aposta
Para dividir, segredo
Para namorar, se gosta

Para um biscoito, avó
Para comprar, essencial
Para todas as coisas, nó
E para terminar, final


Hasta
Vide Alex...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sincronicidade contemporanea...


Movimentos inusitados e experimentação me marcaram ontem. Ainda não tinha estado tão entregue e inteiro. Realmente de corpo e alma. Sem pudores ou medos. Concentrado e buscando entender, aprender, criar.

As vezes penso que poderia soar pretensioso querer criar em um mundo onde tudo é tão novo para mim. Porém, quando não criamos? É um processo sem fim. Tudo o que vivo me faz querer inovar, fazer diferente... ser diferente.

Que porta devo abrir? Acho que todas. Não farei a escolha pela porta, mas pelo que ela esconde em seu interior.

E a sincronicidade? Tenho experimentado em diversos momentos.

Simples, marcante e sincronizado. Esse foi meu momento contemporâneo!!!

Hasta
Vide Alex...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Deixa o rio correr, meu filho!


Pensar sobre timidez me trouxe alguns questionamentos: Por que tentamos, muitas vezes, nos esconder? Será essa a vontade de quem é tímido? A de se esconder... Ou seria uma forma de proteção?

Apesar da facilidade de relacionamento, tenho notado que fico tímido diante de muitas situações. Principalmente as que são de, alguma forma, novas para mim. Ainda não consigo internalizar muito bem essa historia de errar (E tenho certeza que isso acontece com muita gente!). Quero sempre acertar, fazer o melhor, me destacar... Tudo o que é novo precisa de um tempo para tomar forma. E não adianta querer resultado sem processo. E essa é a minha dificuldade: não quero esperar e não quero errar. O medo do erro me impede de avançar e meu corpo se utiliza da timidez para expressar tudo isso. Nossa... quanta contradição (Quem me conhece nunca imaginaria isso, já que adoro, por exemplo, falar em público, expressar minhas idéias... enfim, aparecer...rs)

Deixando de lado as questões individuais e inerentes a cada um, existe um sistema que nos induz a competitividade ilimitada. Queremos vencer sempre e não existe outra possibilidade. Nossa sociedade vive o mais intenso processo de seleção "natural"... A diferença é que os fracos não desaparecem, apenas perdem e são condenados a viver a margem.

Mas voltando ao assunto inicial...O bom de tudo isso é que tenho conseguido mapear as situações me causam essa sensação. Será que devo mudar? Deixar o rio correr sem medo de errar... Ou seria uma exposição desnecessária?

Bem, o importante e que não me privo de viver novas experiencias... E de me relacionar (está aí a dica!!!)

Hasta
Vide Alex...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sensibilidade e movimento I


Pensar na relação dos meus movimentos com tudo o que me cerca me fez tentar entender a relação que estabeleço com meu próprio corpo. Será que é uma relação clara e sem pudores? Será que o meu corpo "fala" o que realmente sinto?

Os limites já não existem se pensarmos que os movimentos são infindáveis em quantidade, diversidade, formas, intensidade e interpretação.

Tenho percebido que essa relação pode ser aquilo que eu queira, com tudo o que a imaginação permitir.

Pode ser um desejo, uma busca, uma angustia. Pode ser alegria, ansiedade, afirmação. Pode ser doce, forte, indiferente ou agressivo. Pode ser uma porta, um relógio, uma janela, uma folha. Pode ser braço estendido, perna flexionada ou salto. Pode ser em plano alto, médio ou baixo. Um surto de felicidade momentânea ou uma arrebatadora síncope inexplicável. Pode ser tudo ou nada. A única certeza é a de que será o que eu quero que seja!

Hasta
Vide Alex...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Liberdade...


Quais são os limites da liberdade social? Esse questionamento não quer ser uma análise sociológica, mas um mero devaneio sobre comportamentos interessantes.
Tenho exercitado essa observação. Perceber como as pessoas se comportam quando estão em público ou em situações onde não e permitido algum determinado comportamento. Falar sozinho é uma constante, mas existem variações: falar gesticulando, timidamente, falar e de repente perceber que é observado, cantarolar, cantar altíssimo (sim, ontem vi um adolescente que berrava desafinadamente uma musica que ouvia em seu Ipod).
E os olhares. É perceptível quando alguém está desconfiado, amedrontado, enraivecido, confiante, feliz. E é aí que se encontra uma grande dificuldade: quando olhamos nos olhos, logo nos retribuem com desconfiança. Mas que mal há nisso? As vezes tenho a sensação que se trata de um hábito que amedronta, quando na verdade, só nos traz verdade e confiança.


O verdadeiro perigo é que a multidão anule nosso olhar para os indivíduos.

E mais uma vez as diferenças dão cor para a vida.

Hasta
Vide Alex...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Busca


Uma de minhas premissas para esse ano é experimentar. Experenciar o que pode me fazer bem e seja capaz de transformar corpo e alma. Tenho me assustado com essa vontade de atingir novos objetivos, que nem ao menos sei quais são. Mas a beleza está no fato de que corpo e alma são únicos, impossíveis de serem segregados. Conhecer meus movimentos e expressões tem possibilitado que minha alma busque. Os gestos, as dificuldades, o contato, os sentidos...tudo deve ser degustado com as minúcias que a alma merece, para lhe conferir, com garbo e requinte, todo o sabor. Não sei para quais caminhos me levará, mas sei do prazer de buscar o novo.
Hasta
Vide Alex...